Archive for the ‘Política’ Category

Pra não dizer que não nos avisaram

July 12, 2008

Transcrito integralmente da Folha de São Paulo de 8 de maio de 2002 (dois mil e DOIS)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0805200209.htm

(só para assinantes UOL)

TENDÊNCIAS/DEBATETENDÊNCIAS/DEBATES

SUBSTITUIÇÃO NO STF

Degradação do Judiciário

DALMO DE ABREU DALLARI

Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais.

Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.

Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica.

Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.
Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente -pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga-, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.

É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção.

A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha inadequada

É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, “inventaram” uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.
Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.

Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio judiciário”.

Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no “Informe”, veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001). Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado “Manicômio Judiciário” e assinado pelo presidente daquele tribunal, observa-se que “não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo”.

E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na “indústria de liminares”.

A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista “Época” (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público -do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários- para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na “reputação ilibada”, exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.

A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a arguição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou “ação entre amigos”. É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.

Dalmo de Abreu Dallari, 70, advogado, é professor da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário de Negócios do município de São Paulo (administração Luiza Erundina).

Mainardi e VEJA, os maiores defensores do PT

July 9, 2008

Sim, isso mesmo. Acabei de constatar no próprio artigo do ilustríssimo cineasta Diogo Mainardi que não há melhor defensor do Partido dos Trabalhadores do que ele. Arrisco-me a dizer que se algum dia alguém tentar algo contra a VEJA, Lula e seus amigos serão os primeiros a intervir.

Não pensem que estou usando de ironias. O caso atual de Daniel Dantas e sua turminha, mostra como ninguém mais acredita na VEJA quando ela diz que o PT estava envolvido até suas mais profundas entranhas com o banqueiro.

O assunto “PT: a raiz de todo mal” é o clássico conto popular onde Pedrinho é um garoto sapeca que só contava mentiras e no dia que ele mais precisou de ajuda e contou a verdade, ninguém acreditou nele. É a mesma situação da infame revista: ela criou uma crença popular de que falar mal do PT é fazer charme, ser direitista cego, etc.

Acredito que dessa vez, no mínimo tinha algum cabeça ali do PT (e obviamente de outros partidos) envolvido com a turminha da pesada (Dantas, Nahas, Valério, etc.) como ficou subentendido nos escândalos do mensalão. Quando viram que a estrutura estatal e “democrática” estava com seus alicerces podres, resolveram fazer um acordão inédito onde só PSOL e PSTU dos mais conhecidos ficaram de fora. No tal acordão ficou definido que impeachment ou caça aos “bruxos” estava proibido, que quem quisesse brincar de prender bandidos que procurasse outro bueiro para fuçar, menos aquele.

Mas obviamente esse recorte da realidade feito por mim é só mais uma alucinação provocada pelo meu demônio direitista das épocas de adolescência. Mesmo porque, depois de todo o trabalho que a VEJA teve em criar esse escudo moral pro PT, quem iria acreditar em uma voz dissonante que mais parece um devaneio?

Le Monde de greve

April 20, 2008

O exemplo do Le Monde

Francisco Viana
De São Paulo (SP)
O Le Monde, de Paris, está em greve. Protesta contra a demissão de funcionários. Desde de 1976 não acontecia nada semelhante. Não vou falar da greve do Le Monde, mas do seu significado simbólico. No dia seguinte à queda do Muro de Berlim, as companhias fizeram soar o toque de avançar do neoliberalismo. Isto significou a transformação da política em algo abstrato. O individuo pode se manifestar, o coletivo não.

Com isso, toda a energia do trabalhador foi canalizada para a lucratividade máxima. A produtividade máxima. Voltou-se à época da primeira revolução industrial, só que acondicionada na pós-modernidade computadorizada. Os mecanismos de controle passaram a ser invisíveis: a competição por carreiras, os orçamentos centralizados nas matrizes, as metas muitas vezes inalcançáveis, as pressões de toda ordem contra qualquer ambição associativa. Aboliram-se os limites da vida privada e o ambiente de trabalho estendeu-se por toda parte. É fonte de angústia e prazer, mais angústia do que prazer. Substitui a família, o lazer, o amor, o “eu”.

Rompidos os laços de solidariedade, o capital tornou-se a força absolutamente dominante, ao ponto de conseguir tirar de cena palavras como capitalismo e burguesia. Não é verdade? Hoje, fala-se não mais em capitalismo, mas em mercado. Fala-se em gestores, investidores, executivos. A burguesia tornou-se quase uma relíquia histórica. Em síntese, modelou-se novos padrões culturais, novos continentes de poder, uma concepção de produção que abstrai o labor abstrato de toda a cadeia produtiva para colocar em seu lugar a miragem de uma suposta força do indíviduo.

Caiu o Muro, o mundo tornou-se uma Roma sem Cartago. Quer dizer, sem visão crítica. Sem alternativa à realidade imposta pelo universo das corporações. O exemplo que vem do Le Monde mostra que é possível haver um renascimento, um relacionamento dialético entre os imperativos da globalização e os imperativos da construção de relações humanísticas no ambiente das companhias. A greve é contra a demissão de 130 funcionários. Uma greve de solidariedade, melhor dizendo.

No Brasil precisamos retomar esse caminho. Dizer não a uma lógica que ninguém quer - a lógica da desumanização em prol do capital -, mas que expressa a vontade de todos, na medida em que existe porque todos se mantêm em silêncio. Essa visão crítica bem que poderia ter a bandeira dos partidos que se alinham em defesa do progresso e da democracia. Há alguns dias os jornais publicaram noticias informando que o brasileiro trabalha sete meses por ano para pagar dívidas. Se somados aos outros quatro meses que trabalha para pagar impostos, são 11 meses perdidos.

Portanto, onze meses sem gerar riqueza com o valor do trabalho. Por que os partidos políticos, em lugar de mensagens vazias como as que caracterizam os programas eleitorais, não usam seus espaços para educar o cidadão? Por que não colocam em prática o discurso crítico desvendando a porção invisível do crédito fácil e abundante, do consumismo irracional, de um narcisismo que nada constrói?

É esse um dos grandes desafios da campanha política que se aproxima. Os comunicadores precisam estar mais atentos para a realidade profunda da sociedade. Deixar a mesmice do marketing e trabalhar para apresentar propostas concretas a esse mal estar oceânico que inibe avanços socais e nos vende a ilusão de que estamos bem, só porque a economia emite tíbios sinais de vitalidade. Se preponderar a visão critica, veremos que o Estado precisa ser revigorado e a política voltar a ocupar posição central na vida da sociedade. É o que os funcionários do Le Monde expressam ao dizer não. Não à demissão dos colegas. Não à Roma sem Cartago.

Francisco Viana é jornalista, consultor de empresas e autor do livro Hermes, a divina arte da comunicação. É diretor da Consultoria Hermes Comunicação estratégica (e-mail: hermescomunicacao@mac.com)

Cyberutopias e jornalismo

March 27, 2008

Artigo interessante de Eugênio Bucci para o Jornal O Estado de São Paulo de 27 de março de 2008:

O relatório The State of the News Media de 2008 (www.stateofthenewsmedia.org), divulgado este mês, traz uma radiografia, quer dizer, uma tomografia computadorizada do estado da imprensa nos Estados Unidos. Conduzido pelo Project for Excellence in Journalism, é vasto, quase exaustivo. Se publicado em livro, teria mais de 700 páginas. Ao mesmo tempo, é detalhista e analítico. O diretor do Project for Excellence in Journalism, Tom Rosenstiel, é a pessoa certa no lugar certo, como demonstra um dos livros que escreveu em parceria com Bill Kovach, The Elements of Journalism (New York: Three Rivers Press, lançado em 2001 e atualizado em 2007). A partir de centenas de conversas com profissionais e estudiosos da imprensa, essa obra procura identificar e definir os elementos essenciais do jornalismo em tempos de transformação. O relatório The State of the News Media, publicado anualmente desde 2004, parece perseguir a mesma pergunta e o mesmo método.

Em 2008, o estudo noticiou com destaque o incremento da liderança das redações convencionais no ambiente da internet:
“Em que pese a existência de novas fontes, as pessoas consomem mais as notícias que as redações da velha mídia produzem.”

O cenário é interessante. Os dez sites noticiosos de maior audiência, em sua maioria extensões de marcas já consagradas na televisão ou na chamada “imprensa escrita” – como CNN, com 29,1 milhões de visitantes únicos por mês em2007, ou The New York Times, com 14,7 milhões –, exercem praticamente uma “oligarquia”, nos termos do relatório, dentro da rede. No jornalismo online, a concentração de audiência é
ainda maior do que a verificada na mídia convencional. Os dez maiores sites respondem por 29% do total, enquanto os dez maiores jornais impressos representam apenas 19% do mercado.

Essa concentração segue em crescimento, contrariando as previsões de que o aumento exponencial do número de portais, blogs e sites estilhaçaria o domínio de marcas tradicionais. Chama a atenção o avanço do New York Times, cuja audiência (em visitantes únicos por mês) deu um salto da ordem de 20% entre 2006 e 2007.

Diante desses dados, o que dizer das profecias que garantiam que a indústria e o mercado perderiam centralidade? Estavam todas furadas? Bem, ao menos em parte, estavam furadas, sim. É verdade que os cenários continuam indefinidos. A transição em que nos encontramos tende a perdurar e não se deve esperar que as coisas se imobilizem. De agora em diante, ao contrário, é bem possível que a idéia de transição vireum componente da idéia de estabilidade, ou seja, o sujeito – bem como as instituições – será cada vez mais desafiado a se localizar, a encontrar um equilíbrio mais ou menos estável, num mundo em movimento permanentemente, arranjado segundo configurações mutáveis e mutantes. Surpresas virão por aí. Ainda assim, é possível concluir com alguma segurança que os grandes títulos, a despeito dos vaticínios, não morrerão tão cedo.

Os dados recentes mostram que não há incompatibilidade entre os jornais tradicionais e as “novas mídias”. Há contradições, muitas vezes, mas não incompatibilidades. Apesar de esse debate ter enveredado por discursos utópicos e melodramáticos, em que os blogs ficam com o papel de mocinhos e tudo o que seja cconvencional representa o vilão, os fatos indicam uma complementaridade entre uns e outros. Um dos mais inteligentes estudiosos das redes interconectadas, Yochai Benkler, autor de TheWealth of Networks –  How Social Production Transforms Markets and Freedom (Yale University Press, 2006), descreve de modo desapaixonado o processo pelo qual as novas tecnologias habilitam indivíduos e pequenos grupos a se
converterem em, como dizem, “provedores de conteúdo”, baseados em relações de trabalho voluntárias e solidárias, não mediadas pelo mercado. Nascem daí fenômenos como a Wikipedia, um sucesso na web que contou com colaboração voluntária de, segundo Benkler, 50 mil co-autores. Ocorre que essas redes, se não se subordinam ao mercado, tampouco revogam o mercado: elas o modificam – para melhor. Elas o civilizam.

O mesmo se pode dizer com relação ao jornalismo. Por mais voluntariosas que sejam, as redes de voluntários não o revogam, mas podem ajudar a melhorá-lo. A demanda por notícias e análises confiáveis e independentes, em ambientes de debate que abriguem grandes contingentes de cidadãos, permanece acesa e viva. A necessidade de fóruns amplos e comuns é estrutural. O espaço público não pode prescindir de referenciais de alta visibilidade e fluxos intensos, que façam as vezes de nós de entroncamento do trânsito das idéias. É aí que entram as velhas redações jornalísticas, não porque são velhas, mas porque são jornalísticas. Num mundo em que o cidadão, finalmente, aprendeu a desconfiar da arrogância do (mau) jjornalismo, as redações são chamadas a vincular credibilidade e inovação. Mais ainda, precisam demonstrar capacidade de liderar num ambiente em que a participação do público – muitas vezes como autor, mais que como consumidor das notícias – é a regra. Não por acaso, segundo apontou o The State of the News Media, um dos destaques do ano de 2007 é justamente o ambiente de alta inovação das redações
americanas.

Inovar quer dizer inovar tecnologicamente e eticamente. E inovar eticamente quer dizer reencontrar, em novas bases, princípios aparentemente antigos, como independência e respeito ao cidadão – respeito que inclui diálogo horizontal. Para isso apenas a imprensa livre – pública ou comercial, não importa, mas livre de verdade – é capaz de dar respostas adequadas. As redações, velhas ou novas, inovam quando reinventam a função pública do jornalismo. Parece uma trama complicada, mas alguns já conseguiram. ●

Os Melhores Jornais do Mundo

March 8, 2008

Gostaria de recomendar aos senhores aqui presentes neste moribundo blog o livro “Os Melhores Jornais do Mundo – uma Visão da Imprensa Internacional” do jornalista Matías M. Molina. Estou lendo e estou gostando. Arrisco-me a dizer que todo aspirante à jornalista e os já profissionais deveriam ler esse livro. Matías M. Molina pra quem não sabe, é praticamente o guru do jornalismo econômico brasileiro. Ele simplesmente É.

Sinopse:

O livro “Os Melhores Jornais do Mundo – Uma visão da Imprensa Internacional” conta essas histórias de sucesso. Ele foi escrito por um dos mais respeitados jornalistas da área econômica, Matías M. Molina, espanhol radicado no Brasil. Molina influenciou gerações de novos profissionais, que hoje representam a elite da comunicação sobre mercado e finanças. A obra surgiu de uma série de reportagens especiais publicadas pelo autor no jornal Valor Econômico em 2005 e 2006.

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Os jornais analisados são verdadeiras instituições, com décadas de existência nas quais conquistaram a credibilidade e a admiração dos leitores – e diante dos quais os governos dos países mais avançados e democráticos têm que prestar contas de suas decisões.
A obra começa com os jornais franceses, com sua grande tradição em coberturas e reportagens profundas que influenciam o jogo da política internacional: o Le Monde e o Le Figaro. Seguem os norte-americanos: o de maior repercussão mundial, The New York Times; e o conterrâneo econômico The Wall Street Journal. Há ainda nesse capítulo o veículo da capital do país mais poderoso do mundo, The Washingnton Post, e o jovem e vibrante Los Angeles Times.

Da Espanha, o representante é o El País, decisivo na redemocratização após o longo período franquista. No entanto, a nação onde a leitura dos jornais foi desde seu início um hábito popular é a Inglaterra, de onde são o Financial Times, o The Guardian e o The Times.
O italiano Corriere della Sera, relativamente mais novo, conquistou um lugar importante na imprensa da União Européia, que também é dividida com os periódicos da Alemanha Frankfurter Allgemeine Zeitung e Süddeutsche Zeitung.

Suíça, com sua longa tradição em abordar as principais questões políticas da Europa a partir do princípio da neutralidade, oferece o Neue Zürcher Zeitung. No Canadá, o mais influente jornal, analisado no livro, é o The Globe and Mail.

Finalmente, Molina descreve dois jornais japoneses, aos quais naturalmente o público brasileiro tem pouco acesso, mas que fazem parte desse rol das grandes publicações: Asahi Simbun e Nihon Keizai Shimbun.

Nessa obra não estão os diários do Brasil e da América Latina. Mas, para quem sentiu falta, fica a expectativa: o autor tem o projeto de fazer um novo volume abordando o continente.

Mais sobre o livro:

Introdução disponível no site da Editora Globo, clique aqui (em formato .pdf, requer Adobe Reader).

Contestação é sinônimo de ignorância

October 21, 2007

Quem puder, leia a Revista ÉPOCA n.º 492 de 22 de outubro de 2007 p.60-68 (matéria de capa). Se trata de uma matéria analisando 28 livros didáticos do ensino fundamental e comentando suas supostas “distorções” da realidade (para a revista, contestar e distorcer são sinônimos).

Chega a dar ânsia de vômito ler a matéria que é de um pro-establishment de dar inveja até na Revista VEJA (não estou exagerando, sério, leiam). A revista ÉPOCA condena veementemente um livro ao qual diz que o “capitalismo e a globalização estão a serviço das elites”. Para o veículo, faltou o livro ressaltar que “a globalização beneficiou países periféricos como Brasil, Índia e China, que atraíram grandes investimentos de empresas que geram empregos” (como se fosse o mar de rosas que essa frase deixa transparecer!).

Em outro trecho onde se trata dos Estados Unidos, os livros fazem a óbvia referência à influência negativa dos EUA. Segundo a reportagem, deveriam apenas dizer que “Os Estados Unidos têm uma das mais antigas e sólidas democracias do mundo. (…)Se não tivesse produzido mais ganhos do que perdas, o capitalismo estaria em extinção” (!!!)

Sem mencionar a capa, que tem uma foto, sugerindo que os livros didáticos (os que contêm algum trecho de contestação) transformam as crianças em seres BURROS dignos do limbo da sala e de um chapéu em forma de cone branco.

Não vou ficar analisando a reportagem toda aqui por falta de estômago para tal, só quis mesmo destacar alguns trechos dentre vários que mostra a que vieram esses veículos. (Eu li a reportagem toda, mas transcrever toda minha análise mental são outros quinhentos)

A reportagem deixa subentendido que se seu filho aprende de alguma maneira a criticar e contestar as bases da sociedade, ele estará fadado ao abismo da ignorância e pobreza. E que acima de tudo, se ele quiser vencer na vida, ele tem de ser um bom neoliberal obediente (de fato isso é verdade mesmo, mas isso é discussão pra outra hora…).

Manda Bala Brasil

October 17, 2007

Polêmico ‘Manda Bala’ será exibido no Festival de Roma

Documentário ‘que não é para ser exibido no Brasil’ investiga a corrupção no País

Flávia Guerra

SÃO PAULO - O polêmico Manda Bala, dirigido pelo norte-americano Jason Kohn, será exibido no 2o. Festival de Cinema de Roma, que começa no dia 18. Como adiantou o Estado em janeiro, quando foi exibido e premiado no Festival de Sundance, o filme fez barulho por botar o dedo na ferida aberta da corrupção e da impunidade brasileira. Para se ter uma idéia, o filme se inicia com um aviso: “Esse filme não é para ser exibido no Brasil.”

A primeira exibição em Roma será (more…)

Liberdade de Expressão nos EUA

September 22, 2007

Nossa me desculpem o tom do texto mas desta vez não dá pra ser impessoal, isento ou seja lá o que for. Estou atônito. Não achei que os EUA tinham chegado a esse ponto. O mesmo ponto da Rússia de Putin que tira de cena qualquer manifestante presente em seus discursos. Porra… vou direto ao ponto. Vejam o vídeo e vejam a descrição que colarei após (retirei do fórum MMOCentral):

“Andrew Meyer, de 21 anos, durante um debate programado entre os estudantes e o político americano John Kerry, excedeu seu tempo e insistiu em perguntar ao Senador democrata porque o Congresso ainda não promoveu um processo de impeachment contra o presidente George W. Bush e depois quis saber se Kerry era mesmo membro da sociedade secreta “Skull and Bones” (crâneo e ossos) na Universidade de Yale (Connecticut).
Todos na platéia ficaram atônitos, mas nada fizeram para interferir.”

Me desculpem a escrita mas estou realmente chocado. Por mais óbvio que fosse o que os EUA fazem com a mídia, nunca imaginei que chegasse a esse ponto. Espero que isso não vire mania aqui no Brasil, senão a coisa vai ficar preta pra uns alunos ae.

Sem fundo falso

September 16, 2007

Um leve texto sobre o livro “A Mídia e seus Truques - o que o jornal, revista, TV, rádio e internet fazem para captar e manter a atenção do público” de Nilton Hernandes

“…Todos os truques de mágica consistem em três partes, ou atos:

A primeira parte é chamada “a promessa”. O mágico te mostra algo comum. Um maço de cartas, um pássaro ou um homem. Ele te mostra esse objeto. Talvez ele peça que você o examine, para provar que ele é de fato real, inalterável, comum. Mas claro, provavelmente não é.

O segundo ato é chamado “a virada”. O mágico pega essa tal coisa comum, e a transforma em algo extraordinário. Agora você está procurando pelo segredo, mas não o encontrará, porque claro, você não está realmente procurando. Você realmente não quer saber. Você quer ser… enganado.

Mas você ainda não aplaudiu, porque fazer algo desaparecer não é o suficiente. Você tem que trazê-lo de volta. Por isso que todo truque de mágica tem um terceiro ato. A parte mais difícil.

A parte que chamamos de…

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Leilão Político

September 14, 2007

Quem dá menos? (video interessante satirizando o fato super comentado desta semana)