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Inconfidências…

September 4, 2008

Inconfidência Barão
a faculdade que todo mundo sente,
mas ninguém vê.

O título pode parecer pretensão, mas não se trata de enxergar mais ou menos que os outros. Mas de escrever sobre isso. E para alguém que deseja alcançar tal profissão, seja de jornalista ou publicitário, é uma obrigação fazê-lo.
Desde o ano passado, a área de Jornalismo passa por mudanças estruturais. Depois de tantas críticas e oposições, o resultado começa a aparecer.
Com a mudança de docente na disciplina de Rádio, em menos de três meses de trabalho sério, um documentário da Barão está entre os escolhidos do Programa do Estudante da Rádio Cultura Brasil AM . Não é pouca coisa, somos os únicos de Ribeirão Preto por lá. E vale lembrar que a seleção é qualitativa. Estamos entre Cásper Líbero, Mackenzie, FAAP, Anhembi-Morumbi… O curioso é que o site da Barão relutou em colocar tal matéria no ar, e quando o fez, manteve por parcos 30 minutos. Passado um final de semana, a matéria aparece novamente com uma “pane” de desculpa. Estranho.
A disciplina de Filosofia é outra unanimidade. Hoje os alunos aprendem… Filosofia! Depois da palestra realizada pelo Diretório, soubemos bem o que é um professor da área. Uma mudança que acabou por contemplar as duas habilitações. O que é bom pra um também pode ser bom para o outro. E quanto mais unidos os alunos forem, melhor para todos. Por mais que tentem manter tal divisão entre nós…
O que não se pode permitir é o silêncio perante incoerências ainda existentes na Unidade. A começar pelo discurso do Reitor da Instituição na posse do novo Diretório. Proferiu um discurso político, vazio e sem eco em nossa realidade. Senão vejamos: cadê a infra-estrutura tão aclamada? Realmente, alguns cursos da área de ciências biológicas são irretocáveis neste quesito. Por aqui, falta muito por fazer.
Só temos aula de fotografia digital pela boa vontade do professor e de alguns alunos que possuem equipamento profissional. E os outros cursos, como fazem? (três anos de requerimentos…). O laboratório de rádio é insuficiente para a demanda da faculdade. Alunos de todos os cursos sofrem com prazos, tempo para o uso e espaço. No caso do estúdio de TV, estaremos fadados ao eterno aluguel de estrutura fora da Unidade? O que era para ser “emergencial” torna-se definitivo. Temerário. O estranho é oferecer 60 vagas no vestibular. O que a Instituição faria se lotassem as salas? Onde alocar os alunos com tanta falta de estrutura? E o pior é que, de gerúndio em gerúndio, as pessoas vão se acostumando e vai parecendo que está indo tudo bem.
A parte que cabe aos alunos é feita. Foi realizada eleição, apesar de tudo. Houve concorrência e debate. Mas a continuidade do trabalho depende do engajamento de todos. Da participação e cobrança ao Diretório para que este nos represente perante a Instituição. De que não se confunda cobrança de direitos com baderna.
Além de discentes somos consumidores, e não me envergonho de cobrar aquilo pelo qual acredito e pago.
Em 2009 teremos visita do MEC. E como bem disse o Reitor, somos todos Barão. Será irreparável para nosso futuro profissional se os cursos forem reprovados. Por enquanto ainda podemos fazer algo a respeito. Só depende da capacidade de trabalharmos juntos para isso.

Marcelo Castro Dias
Alunos do 2º ano de Jornalismo

Pra não dizer que não nos avisaram

July 12, 2008

Transcrito integralmente da Folha de São Paulo de 8 de maio de 2002 (dois mil e DOIS)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0805200209.htm

(só para assinantes UOL)

TENDÊNCIAS/DEBATETENDÊNCIAS/DEBATES

SUBSTITUIÇÃO NO STF

Degradação do Judiciário

DALMO DE ABREU DALLARI

Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais.

Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.

Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica.

Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.
Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente -pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga-, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.

É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção.

A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha inadequada

É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, “inventaram” uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.
Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.

Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio judiciário”.

Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no “Informe”, veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001). Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado “Manicômio Judiciário” e assinado pelo presidente daquele tribunal, observa-se que “não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo”.

E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na “indústria de liminares”.

A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista “Época” (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público -do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários- para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na “reputação ilibada”, exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.

A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a arguição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou “ação entre amigos”. É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.

Dalmo de Abreu Dallari, 70, advogado, é professor da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário de Negócios do município de São Paulo (administração Luiza Erundina).

Hipocrisias à parte

July 5, 2008

Não consigo entender o sentido que envolve certas atitudes. A forma fique bem claro, e não os questionamentos que são feitos. Porque tais argumentações postadas são falácias e desgastadas, sobrevivendo com a apelação do senso comum. É o mais do mesmo de uma (o)posição sem lógica, ou melhor, sem racionalidade pois lógica tem, a da rasteira e da ingenuidade. Vejamos:

O trocadilho de frases tentando atribuir falha ao trabalho do Denis em relação à eleição é covarde. Se ao menos o autor agisse como JORNALISTA e ouvisse as partes envolvidas antes de emitir opinião, saberia que o Denis fora informado que as eleições seriam somente em agosto. Informação esta repassada a todos os interessados que o procuraram. E o coordenador de jornalismo soube de toda reviravolta no mesmo momento que todos nós.

É no mínimo hipócrita afirmar que os atos do grupo de representação foram “em off”. Além do erro de semântica, TODOS os atos praticados foram debatidos em sala com TODOS os alunos do curso de Jornalismo e seus representantes. A indagação postada ainda fora debatida à exaustão quando da eleição para representação de nossa sala este ano. Tema do qual os subscritos concordaram plenamente. Ficar levantando tal questão só para tentar embasar outros argumentos, igualmente vazios, é leviano.

Quanto à formação da chapa, a acusação é ridícula! Como fazer algo escondido se contatamos até a Bruna, namorada do Raul??? Estávamos empenhados em estruturar algo coeso e de qualidade o mais rápido possível. É verdade que, neste caso, foi um grupo “fechado” na composição. Até porque buscavam-se pessoas com caráter e características que passam longe das suas, Rodrigo Henrique. E quanto ao Raul, a própria Bruna falou em reunião que ele não queria se envolver com diretório. Por isso, e pela pressa, que acabou não sendo convidado.

No caso de discutir aluno por aluno, não é retórica. Querendo ou não, os aspectos contidos em cada projeto foi fruto de análise e discussão, dentro e fora de nossa sala e de nosso curso. Só que aprendemos também a jogar o jogo para poder alterá-lo. E tais críticas não sobrevivem a uma lida da carta proposta da chapa vencedora.

Em relação às fraudes citadas, beira o patético responder a isso. Mas vamos lá. Só para demonstrar sua capacidade, ou falta dela, em se perder nos próprios atos vai a pergunta Rodrigo: Como você é capaz de ler um post sobre as fraudes, comentá-lo parabenizando o Benetti e o Leonildo pela vitória e agora vir com tais asneiras? Só para constar sua resposta no post:

“Gostaria de deixar meu abraço especial para o Rodrigo Benetti, presidente da chapa. Espero que suas idéias sejam de grande maturidade e valia, como tem mostrado ser. Sorte, trabalho e respeito a todos vocês. É bom ter o pessoas como Rodrigo e Leonildo representando a nossa sala, a nossa escola.”

Precisa responder mais alguma coisa?

Quanto à sua pergunta Raul, acho que entendo que a frustração com a eleição te impeça de constatar certos avanços. Mas só o fato de que a chapa eleita proporá encurtar seu mandato para organizar eleições decentes, já basta para citar algum. Sendo assim, o exercício pleno e ativo da representação de sala, poderá ser essencial na obtenção de experiência para a montagem de uma chapa de Diretório Acadêmico.

Diretório Acadêmico: Agradecimentos e Esclarecimentos, uma só rima em um mesmo ideal

June 26, 2008

Venho por meio deste post agradecer à todos que nos apoiaram e ajudaram a fazer um pouco mais de história elegendo a chapa 2RT (Representatividade, Reformulação e Trabalho) para o Diretório Acadêmico de Comunicação Social. Gostaria de lembrar a todos - principalmente aos alunos de nossa sala, 2° ano - que a vitória não é só de nossa chapa, mas de todos os alunos da instituição. Alunos que no ano passado reviraram a faculdade e trouxeram qualidade para o nosso curso, que demitiram, admitiram, elegeram pessoas importantes dentro do Centro Universitário Barão de Mauá. Nós fizemos e estamos fazendo história provando que respeito se conquista com embasamento, idéias, discussões colegiadas, reformulações e não com brigas e tumultos como sempre tentaram nos desprestigiar. É por tudo isso que mesmo sabendo há poucos dias de uma eleição pra diretório nós corremos SIM pra montar uma chapa, que nós brigamos SIM para ser mista e ter alunos de publicidade, que nós brigamos SIM para que fosse adiada ou então que no mínimo tivéssemos um debate para mostrar aos discentes nossas propostas.

A divulgação para essas eleições foi mínima, não deixamos de concordar em um só momento. Quase não deu tempo de nos inscrever, muito menos de nos apresentar. Idéias e conceitos sobre um diretório novo sempre existiram, e foram devidamente debatidos entre os membros da chapa nestes poucos dias. Sempre foi de responsabilidade da instituição e do diretório acadêmico divulgar tais acontecimentos e convocar os alunos. O nosso, foi correr atrás do prejuízo sabendo que uma chapa estava formada com alunos de um curso só. E foi discutir projetos. E foi agregar valores com alunos de primeiro e segundo ano dos dois cursos. E foi indagar e prometer aos alunos que iríamos diminuir nosso mandato pela metade para fazer eleições decentes, no começo do ano, atraindo maior representação. E foi mostrar que nós gostamos de festa, mas que temos projetos de palestras e workshops também. E foi discutir aluno por aluno nossas tão sonhadas utopias, que ano passado foram contempladas. E foi exigir um debate que existiu pois havia um coordenador lutando pela democracia conosco. E foi ganhar as eleições por oito votos de diferença, tendo a certeza que conseguimos fazer o mínimo, por maior tentativa de fraude que possa ter existido.

Amigos, também me sinto revoltado pelo que sempre ocorreu e pela forma como as situações foram enfrentadas por interessados e desinteressados dentro e fora do centro acadêmico. Mas acreditem que hoje vocês elegeram seis presidentes e não um só. Acreditem que nossas decisões serão tomadas por vocês, e não pelo que nós acharmos conveniente. Confiem que a partir de agosto existirá um diretório acadêmico feito exclusivamente com a representatividade de quem o elegeu.

Precisamos de vocês nos ajudando com críticas construtivas e novas propostas. Acreditando nisso continuamos representando os interesses dos alunos, lutando até o final para reformular conceitos e trabalhar para que todos fiquem satisfeitos.

Boas férias a todos, muito obrigado e até semestre que vem!

Rodrigo Benetti
(humildemente em nome do diretório acadêmico eleito)

Distorções e maturidades

June 12, 2008

Dia 11 de junho foi memorável. Final de uma eleição que, apesar das distorções persistentes em nossa unidade, demonstra que isso pode mudar um dia.

                O debate entre as chapas foi o maior exemplo disso. Mesmo com a coordenação de publicidade e propaganda contra sua realização. Triste também o comentário da pró-reitora Maria Célia na abertura de que a culpa pela ausência é dos alunos. É de conhecimento e principalmente do julgamento de todos, de como foi organizada a eleição. Sem tempo para campanha, sem transparência adequada e com informações infundadas e desastrosas por parte da mesma para o curso de jornalismo. E ao receber informações de conduta incorreta de uma das chapas, responde dizendo que não temos maturidade para realizar uma eleição. Que falta maturidade é essa? A de querer debater idéias? Promover melhorias nos cursos como flagrantemente houve com o jornalismo? De querer um dos maiores pesquisadores em comunicação social do meu país como professor e coordenador? De não aceitar plágio e falta de qualificação na docência? Falta de maturidade é preterir o melhor corpo docente de jornalismo da região em uma palestra para alunos da rede pública e particular de Ribeirão. Não faço Publicidade (ainda), mas tenho noção de que para vender o meu produto, escolho as opções que melhor agregam valor a ele. E a escolha por um professor dispensado de aulas justamente pela falta de conhecimento e qualificação é lamentável.

                Nossa unidade da Barão começa a se tornar um ambiente universitário de fato. A abertura dada aos alunos começou e não tem volta. Assim se constrói uma verdadeira academia: com a participação dos acadêmicos. E com a prática cada vez maior de nossa liberdade de expressão.

 

Tropa de Elite - Fora a parte da PUC…

May 31, 2008

TROPA DE ELITE É “F” DE FARSA

Paulo Henrique Amorim

. O filme “Tropa de Elite” não é “fascista”, como disse Arnaldo Bloch, no Globo.
. É “f”, mas de Farsa, Fraude, Fantástico.
. A PM não é assim.
. O Bope não é assim.
. A favela não é assim.
. A PUC não é assim.
. O Rio não é assim.
. Nem o livro “Elite da Tropa” é assim.
. O filme é a cópia pirata do livro.
. O livro é a denúncia da corrupção da Polícia do Rio.
. Mas, não, apenas, de um comandante de batalhão da PM.
. O livro denuncia a corrupção do Secretário de Segurança – a cúpula mesmo da segurança do Estado -, que se articulava com a estrutura de poder do Rio.
. Por acaso, um chefe da Polícia Civil do Rio é, neste momento, suspeito de cometer os mesmos crimes do Secretário de Segurança de “Elite da Tropa”, depois de fisgado numa operação da Polícia Federal.
. (Isso, quando a Polícia Federal era, de fato, Republicana.)
. Mais cedo ou mais tarde, este chefe da Polícia Civil de verdade vai ter que se acertar com a lei.
. Em “Tropa de Elite”, a corrupção fica lá embaixo na hierarquia, não chega a ameaçar a reputação da elite da Polícia (ou da elite, de maneira geral).
. O filme trata de uma corrupção pé de chinelo.
. O argumento central do filme fica abaixo da linha da pobreza da criatividade: um oficial do Bope está para ser pai, entra em parafuso e procura um substituto … É isso.
. O resto é bala.
. Porém, a favela não é o que “Tropa de Elite” diz que é.
. A favela é um lugar onde moram pobres e famílias de classe média.
. Que trabalham nas nossas casas com dignidade e vontade de subir na vida.
. No Rio – diferente de São Paulo -, a gente vê a favela e o favelado cara a cara.
. A PUC não é de cheiradores de cocaína nem de maconheiros.
. (Cheiradores de cocaína e maconheiros há em outras comunidades ali perto da PUC, de que o filme não trata.)
. A PM tem corruptos, como tem a Associação Comercial do Rio (e de São Paulo).
. O Bope tem torturadores, como houve nas Forças Armadas do Brasil.
. E nas Polícias do país afora.
. E em Nova York também.
. A cena de “Tropa de Elite” em que se ameaça enfiar um cabo de vassoura no ânus de um suspeito negro aconteceu na vida real, numa delegacia sob o comando de Rudy Giuliani, nos tempos em que ele era o “Adolf” Giuliani…
. O Rio não é assim.
. Tanto não é que o Rio resolveu enfrentar o tráfico como tem que ser: o Estado reassume o controle físico da área controlada pelos traficantes, e, em seguida, chegam as obras sociais de reintegração da área ao conjunto da sociedade.
. Isso é o que acontece hoje no Rio.
. O filme é a exploração de um tema que Fernando Meirelles e a novela “Vidas Opostas” da Record já exploraram com mais qualidade.
. O filme se sustenta sobre duas farsas:
. Sobre o estereótipo do Rio.
. Ou seja, a tentativa de colar no Rio a imagem de uma cidade sem lei e sem alma.
. E, por isso – é a outra farsa -, só tem conserto com policiais sádicos, torturadores e facínoras, como os
“heróis” do BOPE.
. Nascimento, Matias e Neto são revestidos de heróis, mas, coitados, de tão angustiados, merecem a nossa comiseração, malgrado seus “defeitos” e “excessos”.
. O sucesso de “Tropa de Elite” se deve, também, ao fato de recorrer à solução autoritária que está ao alcance da elite de hoje: o contingente policial honesto, porém mau.
. Isso é o que está aí, na prateleira, à disposição dos que se vestem de branco, “pela paz”, e saem pela praia de Ipanema, cansados de violência.
. Não é o fascismo, que saiu da prateleira.
. “Tropa de Elite” corteja também certo sentimento pessimista, que se aloja na elite branca - o “não tem mais jeito”, “o Brasil acabou”, “o Brasil é isso que está aí”, “o Brasil perdeu a chance de ser decente”.
. Sentimento que, em última análise, só encontra saída na ausência de saída: no autoritarismo das “milícias” vestidas de Bope.
. Os “heróis” de “Tropa de Elite” são os mesmos militares torturadores que salvavam as nossas famílias e a nossa civilização da ameaça comunista.
. Agora, nos salvam dos narcotraficantes.
. Num e noutro caso eles são apenas isso: torturadores que um dia enfrentarão a lei e o repúdio de uma sociedade civilizada.
. Não são eles que vão nos salvar e a nossas famílias do tráfico.
. Eles merecem ir para a cadeia, com os marginais que perseguem.
. A saída serão políticas sérias, de homens públicos sérios, policiais sérios.
. O resto, como dizia Caetano Velloso antes de entrar para a Globo, é bom para “a lente do Fantástico”.

DEMOCRACIA É TUDO!

March 24, 2008

Precisa falar mais alguma coisa???

Ombudsman da Folha X José Serra

March 18, 2008

COMO A FOLHA BLINDA SERRA

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1028

Em nenhuma democracia séria do mundo,

jornais conservadores, de baixa qualidade

técnica e até sensacionalistas, e uma única

rede de televisão têm a importância que têm

no Brasil. Eles se transformaram num partido

político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista.

. O Conversa Afiada recebeu de um leitor uma antologia de textos dos ombudsmen da Folha que mostra como o jornal deliberadamente dispensa a José Serra um tratamento completamente diferente àquele dado ao Governo Federal.

. Serra é ex-editorialista e ex-colonista da Folha.

. “Desde 1983, sempre que não exerci funções no Executivo, fui colunista semanal na página dois da Folha”, conta o próprio José Serra em artigo para a Folha, reproduzido no site do Governo do Estado de São Paulo (clique aqui e clique aqui).

. O último período em que Serra ocupou a página A2 da Folha foi em 2004, até ser confirmado candidato a Prefeito de São Paulo.

. Leia abaixo a seleção de críticas internas dos ombudsmen da Folha sobre a cobertura do Governo Serra:

Derrota ocultada – Título deveria incorporar a constatação inescapável: Serra perdeu (clique aqui)

Cartões paulistas? – Leitores indagam se a Folha não publicará reportagem sobre o uso de cartões corporativos no governo de SP; Folha simplesmente ignora o Executivo paulista (clique aqui)

Cartões federais e estaduais – Por que o jornal passou semanas fiscalizando só um nível da administração, descuidando-se de outros dois (incluo o governo da capital)? (clique aqui - somente para assinantes da Folha)

Fogo no hospital – Não cabe à Folha subscrever versões ou suspeitas do governador (clique aqui)

Serra e publicidade – Cabia ao jornal registrar que José Serra é pretendente à vaga do PSDB à Presidência da República. Nada (clique aqui)

Folha, Serra, tendência e método – Lamento que o jornal não tenha procurado Serra para ele se pronunciar sobre a morte por tortura de um adolescente (…) preso por policiais militares (clique aqui - somente para assinantes da Folha)

Serra, o investidor – Fotografia do secretário Mauro Ricardo Machado Costa olhando para cima não poderia ser mais simpática ao entrevistado (clique aqui)

Serra sem gafe – Em discurso na posse do presidente da Fapesp, o governador José Serra trocou ontem a sigla da fundação e pronunciou “Sabesp”. Para a Folha (”Serra pede ênfase na pesquisa básica”, pág. A32), foi um “lapso”. Tudo bem, pode ser. Mas por que outros políticos, com enganos semelhantes, cometem “gafes”, nas descrições do jornal? (clique aqui)

Alma de release – Rodoanel – Não se dá voz a um só opositor da medida ou da gestão Serra (clique aqui)

Bem na foto – Mais uma vez, a Folha publica foto de divulgação em cobertura de evento com a presença do governador José Serra (”Manobra tucana ‘enterra’ CPIs em São Paulo”, pág. A7). Ou seja: o jornal só recebeu fotografias em que Serra aparece bem (clique aqui)

Serra e a CPI – Título deveria citar o governador Serra. Sua posição anti-CPI tem mais importância jornalística do que os esforços do PSDB para fazer em SP o que condena em Brasília (clique aqui)

Manual - Sem outro lado 3 – Texto na pág. A14: “Onda de invasões no Pontal demonstra ‘intransigência’ do MST, afirma Serra”. Por que a Folha não indagou ao MST o que pensa da afirmação do governador de São Paulo? (clique aqui)

Governador fotogênico – É difícil entender o que faz a fotografia do governador José Serra encimando o texto “PT decide por meio-termo entre lista fechada e aberta” (pág. A11) (clique aqui)

Falta bastidor sobre Serra – O jornal só lançou o olhar atento sobre os estudantes. Falta investigar o governo, revelar seus bastidores. Em suma, fazer reportagem (clique aqui - somente para assinantes da Folha)

Factóide – Serra, agora com o prefeito Kassab, ganha a primeira página da Folha usando máscara de oxigênio em evento dedicado ao combate à poluição. Não identifico relevância na imagem para ganhar tanto destaque (clique aqui)

As greves - Lide no pé – Está escondida quase no pé a informação mais importante da reportagem “‘Ninguém agüenta mais’ a invasão na USP, diz Serra” (pág. C10). Ontem, a assembléia de professores da USP aprovou o “indicativo” de fim de greve. Eis a notícia quente, não mais uma declaração do governador (clique aqui)

Greves, opinião e informação – Ao sustentar que não há novidades de peso nos decretos do governo Serra, o secretário se refere a “jornalistas que não se deram ao trabalho de conferir o que iam escrever”. O que a Folha tem a dizer aos seus leitores? (clique aqui)

“Previdência de Serra” – O leitor não foi informado sobre os argumentos a favor e contra o projeto aprovado (clique aqui)

Serra, o pauteiro – Rendeu amplo espaço nos jornais o gesto do governador José Serra de segurar e fazer mira com uma arma da Polícia Militar. Folha deveria repercutir o gesto do governador de brincar com arma de fogo (clique aqui)

Sem equilíbrio – A pág. C3 (14/05/2007) desequilibra a cobertura, com uma grande entrevista do secretário do Ensino Superior de SP, José Aristodemo Pinotti (clique aqui)

Na primeira, notícia de ontem – A primeira página destaca: “Serra propõe criar mínimo regional de R$ 410 em SP”. É notícia relevante para quem recebe e para quem paga. Há um problema, porém: a Folha adiantou ontem parte da novidade, justamente a referente aos R$ 410 (clique aqui)

“Painel” – As informações que estão em duas notas do “Painel” (A4) de hoje (5/2/2007) - “Não seja…” e “… por isso” - já haviam sido publicadas na carta do secretário José Aristodemo Pinotti no “Painel do Leitor” de sexta-feira, na entrevista feita com o governador José Serra e publicada na mesma edição em “Cotidiano” e, parcialmente, na edição de hoje, também em “Cotidiano” (”Governo prevê corte de até R$ 1 bilhão”, C8 da Edição SP) (clique aqui)

“Painel do Leitor” – A carta “Educação superior” (A2), do secretário José Aristodemo Pinotti, traz uma informação nova. Como ficou, o jornal publicou duas vezes as mesmas informações, sendo que em uma delas ocupou o espaço do leitor (clique aqui)

Desastre – O “Estado” me pareceu mais crítico em relação aos questionamentos dirigidos às autoridades estaduais. Segundo o jornal, “Assessoria tentou blindar Serra” na sexta-feira, no dia do acidente (da cratera do Metrô) (clique aqui)

Reciprocidade…

February 27, 2008

ELIO GASPARI

O Brasil precisa começar a deportar


Se os ingleses e espanhóis começarem a voltar para casa, seus governos respeitarão os brasileiros


PETER COLLECOTT , o embaixador de Sua Majestade britânica, precisa se acautelar. Duzentos anos depois de sua primeira visita ao Brasil, Lord Strangford está armando encrencas com Pindorama. Só pode ser dele a idéia de criar juntas de triagem para os nativos que desejam visitar o Reino Unido. Do jeito que as coisas estão, de cada cem brasileiros que compram passagem e descem no aeroporto de Londres, três são deportados. Em 2006 foram 4.985, conforme revelou o repórter Rafael Cariello.
Lord Strangford foi um craque. Arrancou de d. João 6º um tratado que, entre outras coisas, deu aos ingleses residentes na terra o privilégio de serem julgados por tribunais formados por compatriotas. Agora ele quer criar juntas inglesas para julgar brasileiros em aeroportos brasileiros. Deve ser mágoa das chicotadas que levou de um estribeiro de d. Carlota Joaquina.
Os acordos firmados pelos governos das duas nações dizem que os brasileiros não precisam de visto para entrar na Grã Bretanha, nem os ingleses para vir para cá. Como há milhares de nativos interessados em entrar na Inglaterra, ou em outros países da Europa, em busca de trabalho e sem a devida documentação, os governos se protegem. A polícia dos aeroportos faz a triagem no olho e pede provas de que o viajante não está mal intencionado. Essas exigências variam de país para país e vão da passagem de volta ao comprovante da reserva de hotel, passando por dinheiro no bolso e até demonstração do propósito da viagem. As sentenças dos guardas são quase sempre irrecorríveis e, às vezes, néscias.
É direito dos ingleses, espanhóis e europeus em geral recusar o ingresso de estrangeiros. Quanto a isso, nada há a fazer. Nada mesmo?
Talvez haja. Basta criar um sistema de reciprocidade. Quando um avião da British Airways descer em Guarulhos, pede-se aos passageiros que mostrem reserva de hotel, passagem de volta e uma quantia em dinheiro vivo. Não tem? Volta, mesmo que seja um físico a caminho da Argentina para uma palestra. Pode-se fazer o mesmo com o vôo seguinte, da Iberia. Por cortesia, os deportados ficariam sempre num patamar equivalente à metade dos brasileiros punidos.
Se esse remédio parecer radical, o Itamaraty pode informar aos embaixadores Collecott e Peidró Conde, da Espanha, que a reciprocidade só será aplicada em 2009.
Até lá, ingleses e espanhóis que não estiverem com a papelada em ordem serão convidados a assinar a seguinte declaração:
“Cheguei a este aeroporto sem os documentos necessários para atender as exigências que o governo do meu país impõe aos brasileiros. Em nome das boas relações entre os dois povos, solicito, pela presente, que seja dispensado desse procedimento.”
Assinou, fica. Não assinou, volta.
Lord Strangford ameaça restabelecer a necessidade do visto. Se esse for o único caminho, nada a fazer, pois é preferível ser obrigado a solicitar o carimbo dos ingleses (exigindo a mesma coisa deles) do que ser tratado como vagabundo, ou vagabunda, por polícia de aeroporto.
Em tempo: por mais que os europeus azucrinem os brasileiros, nada os aproxima da inépcia dos serviços consulares americanos. Eles exigem que os nativos peçam visto e avisam que a demora para marcar uma entrevista está em 109 dias no Rio de Janeiro. A espera em Pequim é de 15 dias, e em Buenos Aires, de dois.

A Notícia por perto

February 12, 2008

Carro invade posto e atropela frentista

foto: JOYCE CURY
Carro invade posto e atropela frentista
PERIGO PM observa o carro e as roupas do frentista atropelado: policiais evitaram linchamento do motorista

Um Vectra com placas de Franca dirigido por Caio Nenghetti Fleury Loubardi, 19 anos, invadiu o Posto Independência, na avenida Independência, na noite de ontem, e atropelou o frentista Carlos A. P. Silva, de 37 anos. Segundo testemunhas, o frentista ficou preso debaixo do carro. O jovem acelerava, tentando fugir. O frentista foi retirado pelos bombeiros com a ajuda de populares, que ergueram o veículo.

Policiais militares evitaram que o motorista fosse linchado por populares.
Silva está internado em estado grave na Emergência do HC com quadro de hemorragia.
No choque, a bomba de combustível foi arrancada do local. Outro veículo que abastecia foi atingido. No carro de Caio, foram encontrados seis frascos de lança-perfume, dos quais um estava consumido.

RICARDO CANAVEZE

Fonte: Jornal A Cidade