Archive for the ‘Mundo’ Category

Le Monde de greve

April 20, 2008

O exemplo do Le Monde

Francisco Viana
De São Paulo (SP)
O Le Monde, de Paris, está em greve. Protesta contra a demissão de funcionários. Desde de 1976 não acontecia nada semelhante. Não vou falar da greve do Le Monde, mas do seu significado simbólico. No dia seguinte à queda do Muro de Berlim, as companhias fizeram soar o toque de avançar do neoliberalismo. Isto significou a transformação da política em algo abstrato. O individuo pode se manifestar, o coletivo não.

Com isso, toda a energia do trabalhador foi canalizada para a lucratividade máxima. A produtividade máxima. Voltou-se à época da primeira revolução industrial, só que acondicionada na pós-modernidade computadorizada. Os mecanismos de controle passaram a ser invisíveis: a competição por carreiras, os orçamentos centralizados nas matrizes, as metas muitas vezes inalcançáveis, as pressões de toda ordem contra qualquer ambição associativa. Aboliram-se os limites da vida privada e o ambiente de trabalho estendeu-se por toda parte. É fonte de angústia e prazer, mais angústia do que prazer. Substitui a família, o lazer, o amor, o “eu”.

Rompidos os laços de solidariedade, o capital tornou-se a força absolutamente dominante, ao ponto de conseguir tirar de cena palavras como capitalismo e burguesia. Não é verdade? Hoje, fala-se não mais em capitalismo, mas em mercado. Fala-se em gestores, investidores, executivos. A burguesia tornou-se quase uma relíquia histórica. Em síntese, modelou-se novos padrões culturais, novos continentes de poder, uma concepção de produção que abstrai o labor abstrato de toda a cadeia produtiva para colocar em seu lugar a miragem de uma suposta força do indíviduo.

Caiu o Muro, o mundo tornou-se uma Roma sem Cartago. Quer dizer, sem visão crítica. Sem alternativa à realidade imposta pelo universo das corporações. O exemplo que vem do Le Monde mostra que é possível haver um renascimento, um relacionamento dialético entre os imperativos da globalização e os imperativos da construção de relações humanísticas no ambiente das companhias. A greve é contra a demissão de 130 funcionários. Uma greve de solidariedade, melhor dizendo.

No Brasil precisamos retomar esse caminho. Dizer não a uma lógica que ninguém quer - a lógica da desumanização em prol do capital -, mas que expressa a vontade de todos, na medida em que existe porque todos se mantêm em silêncio. Essa visão crítica bem que poderia ter a bandeira dos partidos que se alinham em defesa do progresso e da democracia. Há alguns dias os jornais publicaram noticias informando que o brasileiro trabalha sete meses por ano para pagar dívidas. Se somados aos outros quatro meses que trabalha para pagar impostos, são 11 meses perdidos.

Portanto, onze meses sem gerar riqueza com o valor do trabalho. Por que os partidos políticos, em lugar de mensagens vazias como as que caracterizam os programas eleitorais, não usam seus espaços para educar o cidadão? Por que não colocam em prática o discurso crítico desvendando a porção invisível do crédito fácil e abundante, do consumismo irracional, de um narcisismo que nada constrói?

É esse um dos grandes desafios da campanha política que se aproxima. Os comunicadores precisam estar mais atentos para a realidade profunda da sociedade. Deixar a mesmice do marketing e trabalhar para apresentar propostas concretas a esse mal estar oceânico que inibe avanços socais e nos vende a ilusão de que estamos bem, só porque a economia emite tíbios sinais de vitalidade. Se preponderar a visão critica, veremos que o Estado precisa ser revigorado e a política voltar a ocupar posição central na vida da sociedade. É o que os funcionários do Le Monde expressam ao dizer não. Não à demissão dos colegas. Não à Roma sem Cartago.

Francisco Viana é jornalista, consultor de empresas e autor do livro Hermes, a divina arte da comunicação. É diretor da Consultoria Hermes Comunicação estratégica (e-mail: hermescomunicacao@mac.com)

Os Melhores Jornais do Mundo

March 8, 2008

Gostaria de recomendar aos senhores aqui presentes neste moribundo blog o livro “Os Melhores Jornais do Mundo – uma Visão da Imprensa Internacional” do jornalista Matías M. Molina. Estou lendo e estou gostando. Arrisco-me a dizer que todo aspirante à jornalista e os já profissionais deveriam ler esse livro. Matías M. Molina pra quem não sabe, é praticamente o guru do jornalismo econômico brasileiro. Ele simplesmente É.

Sinopse:

O livro “Os Melhores Jornais do Mundo – Uma visão da Imprensa Internacional” conta essas histórias de sucesso. Ele foi escrito por um dos mais respeitados jornalistas da área econômica, Matías M. Molina, espanhol radicado no Brasil. Molina influenciou gerações de novos profissionais, que hoje representam a elite da comunicação sobre mercado e finanças. A obra surgiu de uma série de reportagens especiais publicadas pelo autor no jornal Valor Econômico em 2005 e 2006.

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Os jornais analisados são verdadeiras instituições, com décadas de existência nas quais conquistaram a credibilidade e a admiração dos leitores – e diante dos quais os governos dos países mais avançados e democráticos têm que prestar contas de suas decisões.
A obra começa com os jornais franceses, com sua grande tradição em coberturas e reportagens profundas que influenciam o jogo da política internacional: o Le Monde e o Le Figaro. Seguem os norte-americanos: o de maior repercussão mundial, The New York Times; e o conterrâneo econômico The Wall Street Journal. Há ainda nesse capítulo o veículo da capital do país mais poderoso do mundo, The Washingnton Post, e o jovem e vibrante Los Angeles Times.

Da Espanha, o representante é o El País, decisivo na redemocratização após o longo período franquista. No entanto, a nação onde a leitura dos jornais foi desde seu início um hábito popular é a Inglaterra, de onde são o Financial Times, o The Guardian e o The Times.
O italiano Corriere della Sera, relativamente mais novo, conquistou um lugar importante na imprensa da União Européia, que também é dividida com os periódicos da Alemanha Frankfurter Allgemeine Zeitung e Süddeutsche Zeitung.

Suíça, com sua longa tradição em abordar as principais questões políticas da Europa a partir do princípio da neutralidade, oferece o Neue Zürcher Zeitung. No Canadá, o mais influente jornal, analisado no livro, é o The Globe and Mail.

Finalmente, Molina descreve dois jornais japoneses, aos quais naturalmente o público brasileiro tem pouco acesso, mas que fazem parte desse rol das grandes publicações: Asahi Simbun e Nihon Keizai Shimbun.

Nessa obra não estão os diários do Brasil e da América Latina. Mas, para quem sentiu falta, fica a expectativa: o autor tem o projeto de fazer um novo volume abordando o continente.

Mais sobre o livro:

Introdução disponível no site da Editora Globo, clique aqui (em formato .pdf, requer Adobe Reader).

Manda Bala Brasil

October 17, 2007

Polêmico ‘Manda Bala’ será exibido no Festival de Roma

Documentário ‘que não é para ser exibido no Brasil’ investiga a corrupção no País

Flávia Guerra

SÃO PAULO - O polêmico Manda Bala, dirigido pelo norte-americano Jason Kohn, será exibido no 2o. Festival de Cinema de Roma, que começa no dia 18. Como adiantou o Estado em janeiro, quando foi exibido e premiado no Festival de Sundance, o filme fez barulho por botar o dedo na ferida aberta da corrupção e da impunidade brasileira. Para se ter uma idéia, o filme se inicia com um aviso: “Esse filme não é para ser exibido no Brasil.”

A primeira exibição em Roma será (more…)

Liberdade de Expressão nos EUA

September 22, 2007

Nossa me desculpem o tom do texto mas desta vez não dá pra ser impessoal, isento ou seja lá o que for. Estou atônito. Não achei que os EUA tinham chegado a esse ponto. O mesmo ponto da Rússia de Putin que tira de cena qualquer manifestante presente em seus discursos. Porra… vou direto ao ponto. Vejam o vídeo e vejam a descrição que colarei após (retirei do fórum MMOCentral):

“Andrew Meyer, de 21 anos, durante um debate programado entre os estudantes e o político americano John Kerry, excedeu seu tempo e insistiu em perguntar ao Senador democrata porque o Congresso ainda não promoveu um processo de impeachment contra o presidente George W. Bush e depois quis saber se Kerry era mesmo membro da sociedade secreta “Skull and Bones” (crâneo e ossos) na Universidade de Yale (Connecticut).
Todos na platéia ficaram atônitos, mas nada fizeram para interferir.”

Me desculpem a escrita mas estou realmente chocado. Por mais óbvio que fosse o que os EUA fazem com a mídia, nunca imaginei que chegasse a esse ponto. Espero que isso não vire mania aqui no Brasil, senão a coisa vai ficar preta pra uns alunos ae.

Guerra Fria 2.0

September 13, 2007

Depois dos EUA em 2003 anunciarem a “Mother of All Bombs” (a mais poderosa bomba não-nuclear do mundo, que ficou apelidada de “Mãe de todas as bombas”. Uma forma coloquial de chamar o explosivo GBU-43 Massive Ordnance Air Blast que foi usado no Afeganistão), chegou a vez da Rússia na sua recente empreitada de “renascimento” de seu exército apresentar um artefato que tem o dobro da potência do concorrente americano.

Apelidada ironicamente de “dad of all bombs” (ou ‘pai de todas as bombas’ na versão traduzida), o artefato russo possui a força equivalente de 44 toneladas de dinamite - para efeito de comparação, a bomba de Hiroshima tinha o poder equivalente a 13000 (treze mil) toneladas de dinamite.

Dados técnicos a parte, é realmente preocupante ver o novo rumo que o feudo de Vladimir Putin está tomando. Pensando bem, é melhor até economizar nas opniões, porquê uma nova Guerra Fria está por vir. Mas desta vez terão mais um convidado de peso: a China.

Só resta esperar que as coisas não se esquentem.

Informações:

Russia tests powerful ‘dad of all bombs’

Ficha Técnica da GBU-43 MOAB

(ambos os links estão em inglês)

O Ateísmo de Madre Teresa de Calcutá

August 25, 2007

Por mais que pareça ironia esse título aí em cima, pasmem, não é - se levarmos em conta o livro que será lançado em breve contendo uma compilação das cartas que ela escreveu para amigas e padres durante vários anos até sua morte.

De acordo com trechos do livro, a Madre morreu cheia de dúvidas e incertezas. Sua fé estava totalmente abalada segundo a reportagem do correspondente da CBS Mark Phillips que destaca alguns trechos do livro onde ela questiona sua própria fé e revela temer sua própria hipocrisia.

Mais detalhes sobre esse assunto, você encontra clicando aqui.

Agora comentando a reportagem, realmente fico boquiaberto com esse tipo de revelação. Acho que certas coisas devem permanecer escondidas (a própria Madre Teresa pediu que as cartas fossem destruídas depois que ela morresse). Por quê digo isso?

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Estadão compra briga na “blogosfera”

August 13, 2007

O Jornal O Estado de São Paulo definitivamente entrou pra valer na Internet. Recentemente, eles iniciaram uma campanha denegrindo a imagem dos blogs - um pouco contraditório diga-se de passagem -, onde de uma forma incisiva, eles criticam os usuários que tentam fazer dos blogs, fontes de informação.

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Orkut com os dias contados?

July 9, 2007

Domingo, dia 8 de julho, começaram a circular na Internet detalhes sobre a nova rede de relacionamentos do Google, chamada inicialmente de Socialstream. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com o Carnegie Mellon University’s Human-Computer Interaction Institute e seu foco inicial é “repensar e reinventar as redes de relacionamento online”.

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Os filtros de Thomas Traumann

July 2, 2007

Segunda à noite, abri a Revista ÉPOCA N.º476 do dia 2 de Julho de 2007, fui direto à página do editorial e me deparo com o título: Já leu o Filtro de hoje?

Achei que tinha morrido e tinha ido pra dimensão onde Noam Chomsky é a situação e a grande mídia tinha se transformado em uma oposição barulhenta ao melhor estilo ‘PT dos anos 90′. Não fui a fundo na imaginação, mas acho que lá a Ingrid deve ser uma espécie de líder mundial caso essa dimensão exista :P.

Bom, só lendo mesmo pra acreditar. Eu ri muito com o título e o conteúdo, não que eu esteja desmerecendo o chefão Thomas Traumann, mas por toda situação que já passamos por essa palavra: Filtros. Vou transcrever diretamente do site da Revista ÉPOCA o editorial (Leiam! É bem “inusitado” esse editorial e só vou colar aqui porquê tá aberto ao público sem pedir senha de assinante para ler):

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Matrix deixa de ser ficção

June 28, 2007

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos está financiando um superprograma/supercomputador que irá simular a nossa realidade em uma escala de 1 para 1 (sim, quando isso aí estiver funcionando 100%, vai ter uma cópia virtual sua lá funcionando 24 horas por dia simulando as ‘variáveis’ da realidade).

Nomeado de Sentient World Simulation, ele pode simular desde como seria se seu bairro ficasse sem água (e como isso afetaria o mundo), até a reação individual de cada ser em relação às propagandas de televisão.

O programa também simula comportamentos militares futuros calculando padrões e estímulos piscológicos, podendo prever as variáveis de decisão que serão tomadas por inimigos, neutros e aliados.

Corte o fornecimento de água do país e dê um golpe de estado. O SWS te dirá o que acontece. Os militares também poderão “injetar” desastres naturais em uma sociedade (como um tsunami ou um terremoto) e ver como ela reage.

Não só no campo militar o SWS poderá ser usado. Por ser um simulador completo da realidade, ele poderá ser útil, por exemplo, para grandes corporações testarem seus novos produtos antes de lançá-los no mercado. Se pensarmos mais longe, ele poderá ser uma grande ferramenta para estudar fenômenos comportamentais e midiáticos em geral.

Atualmente, o SWS só simula 62 países e ainda trabalha em uma escala de 100 para 1. Dentre seus trabalhos atuais, ele simula os cenários possíveis para Bagdá nos próximos 8 anos.

Leia a matéria na íntegra (em inglês):

Sentient world: war games on the grandest scale.