Oligarcas, tremei

Este final de semana estava sem nada de interessante pra ler e abri minha gaveta pra saber se de lá brotaria algo que salvaria este sábado monótono e chuvoso.

Eis que surge uma fotocópia encadernada do “Manifesto do Partido Comunista” que eu havia adquirido na época do colegial. As folhas estão até amareladas, e eu dei uns espirros devido à extrema poeira que saiu da obra (informação super relevante essa).

Vou colar alguns trechos aqui pro pessoal ler, e acima de tudo, REFLETIR, REFLETIR e REFLETIR.

Manifesto do Partido Comunista

por Karl Marx e Friedrich Engels

[...]

Até hoje, a história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes.

Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das suas classes em luta.

Nas primeiras épocas históricas, verificamos, quase por toda parte, uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores, vassalos, mestres, companheiros, servos; e, em cada uma destas classes, gradações especiais.

A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. Não fez senão substituir novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta às que existiram no passado.

Entretanto, a nossa época; a época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classes. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado.
[...]
A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até então reputadas veneráveis e encaradas com piedoso respeito. Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados.

A burguesia rasgou o véu de sentimentalismo que envolvia as relações de família e reduziu-as a simples relações monetárias.
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A burguesia suprime cada vez mais a dispersão dos meios de produção, da propriedade e da população. Aglomerou as populações, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos. A conseqüência necessária dessas transformações foi a centralização política. Províncias independentes, apenas ligadas por débeis laços federativos, possuindo interesses, leis, governos e tarifas aduaneiras diferentes, foram reunidas em uma só nação, com um só governo… uma só lei, um só interesse nacional de classe, uma só barreira alfandegária.
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As armas que a burguesia utilizou para abater o feudalismo, voltam-se hoje contra a própria burguesia.

A burguesia, porém, não forjou somente as armas que lhe darão morte; produziu também os homens que manejarão essas armas - os operários modernos, os proletários.
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Depois de sofrer a exploração do fabricante e de receber seu salário em dinheiro, o operário torna-se presa de outros membros da burguesia, do proprietário, do varejista, do usurário, etc.
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Finalmente, nos períodos em que a luta de classes se aproxima da hora decisiva, o processo de dissolução da classe dominante, de toda a velha sociedade, adquire um caráter tão violento e agudo, que uma pequena fração da classe dominante se desliga desta, ligando-se à classe revolucionária, a classe que traz em si o futuro. Do mesmo modo que outrora uma parte da nobreza passou-se para a burguesia, em nossos dias, uma parte da burguesia passa-se para o proletariado, especialmente a parte dos ideólogos burgueses que chegaram à compreensão teórica do movimento histórico em seu conjunto.
[...]
Todas as classes que no passado conquistaram o Poder, trataram de consolidar a situação adquirida submetendo a sociedade às suas condições de apropriação. Os proletários não podem apoderar-se das forças produtivas sociais senão abolindo o modo de apropriação que era próprio a estas e, por conseguinte, todo modo de apropriação em vigor até hoje.
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PS.: Fica aí minha dica de leitura pra galera. Visto que é uma obra de domínio público, e não precisa desembolsar grana para adquirí-la e só tem 24 páginas. (mentira, tem um pouco mais, mas compensa de qualquer forma). A idéia do título foi do Raul.

6 Responses to “Oligarcas, tremei”

  1. Jônatas Says:

    Vou ler… Assim que ler o texto de ética… Pq se misturar dois textos, não absorvo meio… :o(

  2. carla Says:

    é desanimador ter consciência de algumas coisas

  3. Jônatas Says:

    É sim, bem desanimador… Mas daí que temos que escolher como vamos lidar com a situação… Aceitar passivamente ou “mudar” de alguma forma.

  4. Aline Says:

    Belo texto…reflexões explodem em minha cabeça cada dia mais confusa e com pensamentos indignados…

  5. Raul Says:

    das opções que o meu amigo jonatas deu, prefiro mudar as coisas, porque aceitar passivamente está fora de cogitação pra mim.

    “olhe do espaço exterior para a Terra
    Todos têm que encontrar um lugar
    Dê-me tempo e dê-me espaço
    Dê-me algo real, não me venha com falsificações

    Dê-me força, mantenha o controle
    Dê-me coração e dê-me alma
    Dê-me tempo, dê-nos um beijo
    Conte-me sobre sua própria política
    E abra seus olhos
    abra seus olhos”

  6. Leo Says:

    viado pra kralho hein Raul

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