Le Monde de greve

April 20, 2008 by Leo

O exemplo do Le Monde

Francisco Viana
De São Paulo (SP)
O Le Monde, de Paris, está em greve. Protesta contra a demissão de funcionários. Desde de 1976 não acontecia nada semelhante. Não vou falar da greve do Le Monde, mas do seu significado simbólico. No dia seguinte à queda do Muro de Berlim, as companhias fizeram soar o toque de avançar do neoliberalismo. Isto significou a transformação da política em algo abstrato. O individuo pode se manifestar, o coletivo não.

Com isso, toda a energia do trabalhador foi canalizada para a lucratividade máxima. A produtividade máxima. Voltou-se à época da primeira revolução industrial, só que acondicionada na pós-modernidade computadorizada. Os mecanismos de controle passaram a ser invisíveis: a competição por carreiras, os orçamentos centralizados nas matrizes, as metas muitas vezes inalcançáveis, as pressões de toda ordem contra qualquer ambição associativa. Aboliram-se os limites da vida privada e o ambiente de trabalho estendeu-se por toda parte. É fonte de angústia e prazer, mais angústia do que prazer. Substitui a família, o lazer, o amor, o “eu”.

Rompidos os laços de solidariedade, o capital tornou-se a força absolutamente dominante, ao ponto de conseguir tirar de cena palavras como capitalismo e burguesia. Não é verdade? Hoje, fala-se não mais em capitalismo, mas em mercado. Fala-se em gestores, investidores, executivos. A burguesia tornou-se quase uma relíquia histórica. Em síntese, modelou-se novos padrões culturais, novos continentes de poder, uma concepção de produção que abstrai o labor abstrato de toda a cadeia produtiva para colocar em seu lugar a miragem de uma suposta força do indíviduo.

Caiu o Muro, o mundo tornou-se uma Roma sem Cartago. Quer dizer, sem visão crítica. Sem alternativa à realidade imposta pelo universo das corporações. O exemplo que vem do Le Monde mostra que é possível haver um renascimento, um relacionamento dialético entre os imperativos da globalização e os imperativos da construção de relações humanísticas no ambiente das companhias. A greve é contra a demissão de 130 funcionários. Uma greve de solidariedade, melhor dizendo.

No Brasil precisamos retomar esse caminho. Dizer não a uma lógica que ninguém quer - a lógica da desumanização em prol do capital -, mas que expressa a vontade de todos, na medida em que existe porque todos se mantêm em silêncio. Essa visão crítica bem que poderia ter a bandeira dos partidos que se alinham em defesa do progresso e da democracia. Há alguns dias os jornais publicaram noticias informando que o brasileiro trabalha sete meses por ano para pagar dívidas. Se somados aos outros quatro meses que trabalha para pagar impostos, são 11 meses perdidos.

Portanto, onze meses sem gerar riqueza com o valor do trabalho. Por que os partidos políticos, em lugar de mensagens vazias como as que caracterizam os programas eleitorais, não usam seus espaços para educar o cidadão? Por que não colocam em prática o discurso crítico desvendando a porção invisível do crédito fácil e abundante, do consumismo irracional, de um narcisismo que nada constrói?

É esse um dos grandes desafios da campanha política que se aproxima. Os comunicadores precisam estar mais atentos para a realidade profunda da sociedade. Deixar a mesmice do marketing e trabalhar para apresentar propostas concretas a esse mal estar oceânico que inibe avanços socais e nos vende a ilusão de que estamos bem, só porque a economia emite tíbios sinais de vitalidade. Se preponderar a visão critica, veremos que o Estado precisa ser revigorado e a política voltar a ocupar posição central na vida da sociedade. É o que os funcionários do Le Monde expressam ao dizer não. Não à demissão dos colegas. Não à Roma sem Cartago.

Francisco Viana é jornalista, consultor de empresas e autor do livro Hermes, a divina arte da comunicação. É diretor da Consultoria Hermes Comunicação estratégica (e-mail: hermescomunicacao@mac.com)

Vão bloquear o WordPress no Brasil!!!

April 10, 2008 by Leo

WordPress pode ter acesso bloqueado por decisão judicial


Internautas brasileiros devem ficar sem o acesso ao site de blogs WordPress.com. Uma decisão judicial de São Paulo pediu o bloqueio a uma página e, para tanto, os provedores podem ter de proibir todo o acesso ao portal. Não se sabe o nome do blog tampouco a infração cometida, já que o processo corre em segredo de justiça.

A Abranet (Associação Brasileira de Provedores de Internet) explicou que não é possível proibir o acesso a apenas uma página. “Esse tipo de procedimento é muito complicado. Não se faz o bloqueio específico para um blog. É preciso restringir o acesso do IP (protocolo de internet) como um todo. O que os nossos associados estão colocando é que pode acontecer isso, de ficar tudo indisponível”, afirma Eduardo Parajo, presidente do conselho da Abranet.

Parajo explica que o receio dos provedores é que esteja por vir um “novo caso Cicarelli” – o YouTube foi bloqueado temporariamente no início do ano porque um vídeo mostrava a apresentadora Daniella Cicarelli em cenas íntimas numa praia.

“Todos eles [os provedores] estão caminhando no sentido de cumprir a ordem judicial, mas queremos evitar um caso maior, como foi no caso Cicarelli. Naquela época aconteceu justamente isso”, diz Parajo.

Os associados, diz ele, já foram informados sobre o caso e o juiz recebeu um comunicado explicando a questão técnica.

As informações são da Folha Online.

Cyberutopias e jornalismo

March 27, 2008 by Leo

Artigo interessante de Eugênio Bucci para o Jornal O Estado de São Paulo de 27 de março de 2008:

O relatório The State of the News Media de 2008 (www.stateofthenewsmedia.org), divulgado este mês, traz uma radiografia, quer dizer, uma tomografia computadorizada do estado da imprensa nos Estados Unidos. Conduzido pelo Project for Excellence in Journalism, é vasto, quase exaustivo. Se publicado em livro, teria mais de 700 páginas. Ao mesmo tempo, é detalhista e analítico. O diretor do Project for Excellence in Journalism, Tom Rosenstiel, é a pessoa certa no lugar certo, como demonstra um dos livros que escreveu em parceria com Bill Kovach, The Elements of Journalism (New York: Three Rivers Press, lançado em 2001 e atualizado em 2007). A partir de centenas de conversas com profissionais e estudiosos da imprensa, essa obra procura identificar e definir os elementos essenciais do jornalismo em tempos de transformação. O relatório The State of the News Media, publicado anualmente desde 2004, parece perseguir a mesma pergunta e o mesmo método.

Em 2008, o estudo noticiou com destaque o incremento da liderança das redações convencionais no ambiente da internet:
“Em que pese a existência de novas fontes, as pessoas consomem mais as notícias que as redações da velha mídia produzem.”

O cenário é interessante. Os dez sites noticiosos de maior audiência, em sua maioria extensões de marcas já consagradas na televisão ou na chamada “imprensa escrita” – como CNN, com 29,1 milhões de visitantes únicos por mês em2007, ou The New York Times, com 14,7 milhões –, exercem praticamente uma “oligarquia”, nos termos do relatório, dentro da rede. No jornalismo online, a concentração de audiência é
ainda maior do que a verificada na mídia convencional. Os dez maiores sites respondem por 29% do total, enquanto os dez maiores jornais impressos representam apenas 19% do mercado.

Essa concentração segue em crescimento, contrariando as previsões de que o aumento exponencial do número de portais, blogs e sites estilhaçaria o domínio de marcas tradicionais. Chama a atenção o avanço do New York Times, cuja audiência (em visitantes únicos por mês) deu um salto da ordem de 20% entre 2006 e 2007.

Diante desses dados, o que dizer das profecias que garantiam que a indústria e o mercado perderiam centralidade? Estavam todas furadas? Bem, ao menos em parte, estavam furadas, sim. É verdade que os cenários continuam indefinidos. A transição em que nos encontramos tende a perdurar e não se deve esperar que as coisas se imobilizem. De agora em diante, ao contrário, é bem possível que a idéia de transição vireum componente da idéia de estabilidade, ou seja, o sujeito – bem como as instituições – será cada vez mais desafiado a se localizar, a encontrar um equilíbrio mais ou menos estável, num mundo em movimento permanentemente, arranjado segundo configurações mutáveis e mutantes. Surpresas virão por aí. Ainda assim, é possível concluir com alguma segurança que os grandes títulos, a despeito dos vaticínios, não morrerão tão cedo.

Os dados recentes mostram que não há incompatibilidade entre os jornais tradicionais e as “novas mídias”. Há contradições, muitas vezes, mas não incompatibilidades. Apesar de esse debate ter enveredado por discursos utópicos e melodramáticos, em que os blogs ficam com o papel de mocinhos e tudo o que seja cconvencional representa o vilão, os fatos indicam uma complementaridade entre uns e outros. Um dos mais inteligentes estudiosos das redes interconectadas, Yochai Benkler, autor de TheWealth of Networks –  How Social Production Transforms Markets and Freedom (Yale University Press, 2006), descreve de modo desapaixonado o processo pelo qual as novas tecnologias habilitam indivíduos e pequenos grupos a se
converterem em, como dizem, “provedores de conteúdo”, baseados em relações de trabalho voluntárias e solidárias, não mediadas pelo mercado. Nascem daí fenômenos como a Wikipedia, um sucesso na web que contou com colaboração voluntária de, segundo Benkler, 50 mil co-autores. Ocorre que essas redes, se não se subordinam ao mercado, tampouco revogam o mercado: elas o modificam – para melhor. Elas o civilizam.

O mesmo se pode dizer com relação ao jornalismo. Por mais voluntariosas que sejam, as redes de voluntários não o revogam, mas podem ajudar a melhorá-lo. A demanda por notícias e análises confiáveis e independentes, em ambientes de debate que abriguem grandes contingentes de cidadãos, permanece acesa e viva. A necessidade de fóruns amplos e comuns é estrutural. O espaço público não pode prescindir de referenciais de alta visibilidade e fluxos intensos, que façam as vezes de nós de entroncamento do trânsito das idéias. É aí que entram as velhas redações jornalísticas, não porque são velhas, mas porque são jornalísticas. Num mundo em que o cidadão, finalmente, aprendeu a desconfiar da arrogância do (mau) jjornalismo, as redações são chamadas a vincular credibilidade e inovação. Mais ainda, precisam demonstrar capacidade de liderar num ambiente em que a participação do público – muitas vezes como autor, mais que como consumidor das notícias – é a regra. Não por acaso, segundo apontou o The State of the News Media, um dos destaques do ano de 2007 é justamente o ambiente de alta inovação das redações
americanas.

Inovar quer dizer inovar tecnologicamente e eticamente. E inovar eticamente quer dizer reencontrar, em novas bases, princípios aparentemente antigos, como independência e respeito ao cidadão – respeito que inclui diálogo horizontal. Para isso apenas a imprensa livre – pública ou comercial, não importa, mas livre de verdade – é capaz de dar respostas adequadas. As redações, velhas ou novas, inovam quando reinventam a função pública do jornalismo. Parece uma trama complicada, mas alguns já conseguiram. ●

DEMOCRACIA É TUDO!

March 24, 2008 by castromnia

Precisa falar mais alguma coisa???

Ombudsman da Folha X José Serra

March 18, 2008 by castromnia

COMO A FOLHA BLINDA SERRA

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1028

Em nenhuma democracia séria do mundo,

jornais conservadores, de baixa qualidade

técnica e até sensacionalistas, e uma única

rede de televisão têm a importância que têm

no Brasil. Eles se transformaram num partido

político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista.

. O Conversa Afiada recebeu de um leitor uma antologia de textos dos ombudsmen da Folha que mostra como o jornal deliberadamente dispensa a José Serra um tratamento completamente diferente àquele dado ao Governo Federal.

. Serra é ex-editorialista e ex-colonista da Folha.

. “Desde 1983, sempre que não exerci funções no Executivo, fui colunista semanal na página dois da Folha”, conta o próprio José Serra em artigo para a Folha, reproduzido no site do Governo do Estado de São Paulo (clique aqui e clique aqui).

. O último período em que Serra ocupou a página A2 da Folha foi em 2004, até ser confirmado candidato a Prefeito de São Paulo.

. Leia abaixo a seleção de críticas internas dos ombudsmen da Folha sobre a cobertura do Governo Serra:

Derrota ocultada – Título deveria incorporar a constatação inescapável: Serra perdeu (clique aqui)

Cartões paulistas? – Leitores indagam se a Folha não publicará reportagem sobre o uso de cartões corporativos no governo de SP; Folha simplesmente ignora o Executivo paulista (clique aqui)

Cartões federais e estaduais – Por que o jornal passou semanas fiscalizando só um nível da administração, descuidando-se de outros dois (incluo o governo da capital)? (clique aqui - somente para assinantes da Folha)

Fogo no hospital – Não cabe à Folha subscrever versões ou suspeitas do governador (clique aqui)

Serra e publicidade – Cabia ao jornal registrar que José Serra é pretendente à vaga do PSDB à Presidência da República. Nada (clique aqui)

Folha, Serra, tendência e método – Lamento que o jornal não tenha procurado Serra para ele se pronunciar sobre a morte por tortura de um adolescente (…) preso por policiais militares (clique aqui - somente para assinantes da Folha)

Serra, o investidor – Fotografia do secretário Mauro Ricardo Machado Costa olhando para cima não poderia ser mais simpática ao entrevistado (clique aqui)

Serra sem gafe – Em discurso na posse do presidente da Fapesp, o governador José Serra trocou ontem a sigla da fundação e pronunciou “Sabesp”. Para a Folha (”Serra pede ênfase na pesquisa básica”, pág. A32), foi um “lapso”. Tudo bem, pode ser. Mas por que outros políticos, com enganos semelhantes, cometem “gafes”, nas descrições do jornal? (clique aqui)

Alma de release – Rodoanel – Não se dá voz a um só opositor da medida ou da gestão Serra (clique aqui)

Bem na foto – Mais uma vez, a Folha publica foto de divulgação em cobertura de evento com a presença do governador José Serra (”Manobra tucana ‘enterra’ CPIs em São Paulo”, pág. A7). Ou seja: o jornal só recebeu fotografias em que Serra aparece bem (clique aqui)

Serra e a CPI – Título deveria citar o governador Serra. Sua posição anti-CPI tem mais importância jornalística do que os esforços do PSDB para fazer em SP o que condena em Brasília (clique aqui)

Manual - Sem outro lado 3 – Texto na pág. A14: “Onda de invasões no Pontal demonstra ‘intransigência’ do MST, afirma Serra”. Por que a Folha não indagou ao MST o que pensa da afirmação do governador de São Paulo? (clique aqui)

Governador fotogênico – É difícil entender o que faz a fotografia do governador José Serra encimando o texto “PT decide por meio-termo entre lista fechada e aberta” (pág. A11) (clique aqui)

Falta bastidor sobre Serra – O jornal só lançou o olhar atento sobre os estudantes. Falta investigar o governo, revelar seus bastidores. Em suma, fazer reportagem (clique aqui - somente para assinantes da Folha)

Factóide – Serra, agora com o prefeito Kassab, ganha a primeira página da Folha usando máscara de oxigênio em evento dedicado ao combate à poluição. Não identifico relevância na imagem para ganhar tanto destaque (clique aqui)

As greves - Lide no pé – Está escondida quase no pé a informação mais importante da reportagem “‘Ninguém agüenta mais’ a invasão na USP, diz Serra” (pág. C10). Ontem, a assembléia de professores da USP aprovou o “indicativo” de fim de greve. Eis a notícia quente, não mais uma declaração do governador (clique aqui)

Greves, opinião e informação – Ao sustentar que não há novidades de peso nos decretos do governo Serra, o secretário se refere a “jornalistas que não se deram ao trabalho de conferir o que iam escrever”. O que a Folha tem a dizer aos seus leitores? (clique aqui)

“Previdência de Serra” – O leitor não foi informado sobre os argumentos a favor e contra o projeto aprovado (clique aqui)

Serra, o pauteiro – Rendeu amplo espaço nos jornais o gesto do governador José Serra de segurar e fazer mira com uma arma da Polícia Militar. Folha deveria repercutir o gesto do governador de brincar com arma de fogo (clique aqui)

Sem equilíbrio – A pág. C3 (14/05/2007) desequilibra a cobertura, com uma grande entrevista do secretário do Ensino Superior de SP, José Aristodemo Pinotti (clique aqui)

Na primeira, notícia de ontem – A primeira página destaca: “Serra propõe criar mínimo regional de R$ 410 em SP”. É notícia relevante para quem recebe e para quem paga. Há um problema, porém: a Folha adiantou ontem parte da novidade, justamente a referente aos R$ 410 (clique aqui)

“Painel” – As informações que estão em duas notas do “Painel” (A4) de hoje (5/2/2007) - “Não seja…” e “… por isso” - já haviam sido publicadas na carta do secretário José Aristodemo Pinotti no “Painel do Leitor” de sexta-feira, na entrevista feita com o governador José Serra e publicada na mesma edição em “Cotidiano” e, parcialmente, na edição de hoje, também em “Cotidiano” (”Governo prevê corte de até R$ 1 bilhão”, C8 da Edição SP) (clique aqui)

“Painel do Leitor” – A carta “Educação superior” (A2), do secretário José Aristodemo Pinotti, traz uma informação nova. Como ficou, o jornal publicou duas vezes as mesmas informações, sendo que em uma delas ocupou o espaço do leitor (clique aqui)

Desastre – O “Estado” me pareceu mais crítico em relação aos questionamentos dirigidos às autoridades estaduais. Segundo o jornal, “Assessoria tentou blindar Serra” na sexta-feira, no dia do acidente (da cratera do Metrô) (clique aqui)

Oligarcas, tremei

March 15, 2008 by Leo

Este final de semana estava sem nada de interessante pra ler e abri minha gaveta pra saber se de lá brotaria algo que salvaria este sábado monótono e chuvoso.

Eis que surge uma fotocópia encadernada do “Manifesto do Partido Comunista” que eu havia adquirido na época do colegial. As folhas estão até amareladas, e eu dei uns espirros devido à extrema poeira que saiu da obra (informação super relevante essa).

Vou colar alguns trechos aqui pro pessoal ler, e acima de tudo, REFLETIR, REFLETIR e REFLETIR.

Manifesto do Partido Comunista

por Karl Marx e Friedrich Engels

[...]

Até hoje, a história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes.

Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das suas classes em luta.

Nas primeiras épocas históricas, verificamos, quase por toda parte, uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores, vassalos, mestres, companheiros, servos; e, em cada uma destas classes, gradações especiais.

A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. Não fez senão substituir novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta às que existiram no passado.

Entretanto, a nossa época; a época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classes. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado.
[...]
A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até então reputadas veneráveis e encaradas com piedoso respeito. Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados.

A burguesia rasgou o véu de sentimentalismo que envolvia as relações de família e reduziu-as a simples relações monetárias.
[...]
A burguesia suprime cada vez mais a dispersão dos meios de produção, da propriedade e da população. Aglomerou as populações, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos. A conseqüência necessária dessas transformações foi a centralização política. Províncias independentes, apenas ligadas por débeis laços federativos, possuindo interesses, leis, governos e tarifas aduaneiras diferentes, foram reunidas em uma só nação, com um só governo… uma só lei, um só interesse nacional de classe, uma só barreira alfandegária.
[...]
As armas que a burguesia utilizou para abater o feudalismo, voltam-se hoje contra a própria burguesia.

A burguesia, porém, não forjou somente as armas que lhe darão morte; produziu também os homens que manejarão essas armas - os operários modernos, os proletários.
[...]
Depois de sofrer a exploração do fabricante e de receber seu salário em dinheiro, o operário torna-se presa de outros membros da burguesia, do proprietário, do varejista, do usurário, etc.
[...]
Finalmente, nos períodos em que a luta de classes se aproxima da hora decisiva, o processo de dissolução da classe dominante, de toda a velha sociedade, adquire um caráter tão violento e agudo, que uma pequena fração da classe dominante se desliga desta, ligando-se à classe revolucionária, a classe que traz em si o futuro. Do mesmo modo que outrora uma parte da nobreza passou-se para a burguesia, em nossos dias, uma parte da burguesia passa-se para o proletariado, especialmente a parte dos ideólogos burgueses que chegaram à compreensão teórica do movimento histórico em seu conjunto.
[...]
Todas as classes que no passado conquistaram o Poder, trataram de consolidar a situação adquirida submetendo a sociedade às suas condições de apropriação. Os proletários não podem apoderar-se das forças produtivas sociais senão abolindo o modo de apropriação que era próprio a estas e, por conseguinte, todo modo de apropriação em vigor até hoje.
[...]

___________________________________________________________

PS.: Fica aí minha dica de leitura pra galera. Visto que é uma obra de domínio público, e não precisa desembolsar grana para adquirí-la e só tem 24 páginas. (mentira, tem um pouco mais, mas compensa de qualquer forma). A idéia do título foi do Raul.

Os Melhores Jornais do Mundo

March 8, 2008 by Leo

Gostaria de recomendar aos senhores aqui presentes neste moribundo blog o livro “Os Melhores Jornais do Mundo – uma Visão da Imprensa Internacional” do jornalista Matías M. Molina. Estou lendo e estou gostando. Arrisco-me a dizer que todo aspirante à jornalista e os já profissionais deveriam ler esse livro. Matías M. Molina pra quem não sabe, é praticamente o guru do jornalismo econômico brasileiro. Ele simplesmente É.

Sinopse:

O livro “Os Melhores Jornais do Mundo – Uma visão da Imprensa Internacional” conta essas histórias de sucesso. Ele foi escrito por um dos mais respeitados jornalistas da área econômica, Matías M. Molina, espanhol radicado no Brasil. Molina influenciou gerações de novos profissionais, que hoje representam a elite da comunicação sobre mercado e finanças. A obra surgiu de uma série de reportagens especiais publicadas pelo autor no jornal Valor Econômico em 2005 e 2006.

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Os jornais analisados são verdadeiras instituições, com décadas de existência nas quais conquistaram a credibilidade e a admiração dos leitores – e diante dos quais os governos dos países mais avançados e democráticos têm que prestar contas de suas decisões.
A obra começa com os jornais franceses, com sua grande tradição em coberturas e reportagens profundas que influenciam o jogo da política internacional: o Le Monde e o Le Figaro. Seguem os norte-americanos: o de maior repercussão mundial, The New York Times; e o conterrâneo econômico The Wall Street Journal. Há ainda nesse capítulo o veículo da capital do país mais poderoso do mundo, The Washingnton Post, e o jovem e vibrante Los Angeles Times.

Da Espanha, o representante é o El País, decisivo na redemocratização após o longo período franquista. No entanto, a nação onde a leitura dos jornais foi desde seu início um hábito popular é a Inglaterra, de onde são o Financial Times, o The Guardian e o The Times.
O italiano Corriere della Sera, relativamente mais novo, conquistou um lugar importante na imprensa da União Européia, que também é dividida com os periódicos da Alemanha Frankfurter Allgemeine Zeitung e Süddeutsche Zeitung.

Suíça, com sua longa tradição em abordar as principais questões políticas da Europa a partir do princípio da neutralidade, oferece o Neue Zürcher Zeitung. No Canadá, o mais influente jornal, analisado no livro, é o The Globe and Mail.

Finalmente, Molina descreve dois jornais japoneses, aos quais naturalmente o público brasileiro tem pouco acesso, mas que fazem parte desse rol das grandes publicações: Asahi Simbun e Nihon Keizai Shimbun.

Nessa obra não estão os diários do Brasil e da América Latina. Mas, para quem sentiu falta, fica a expectativa: o autor tem o projeto de fazer um novo volume abordando o continente.

Mais sobre o livro:

Introdução disponível no site da Editora Globo, clique aqui (em formato .pdf, requer Adobe Reader).

Reciprocidade…

February 27, 2008 by castromnia

ELIO GASPARI

O Brasil precisa começar a deportar


Se os ingleses e espanhóis começarem a voltar para casa, seus governos respeitarão os brasileiros


PETER COLLECOTT , o embaixador de Sua Majestade britânica, precisa se acautelar. Duzentos anos depois de sua primeira visita ao Brasil, Lord Strangford está armando encrencas com Pindorama. Só pode ser dele a idéia de criar juntas de triagem para os nativos que desejam visitar o Reino Unido. Do jeito que as coisas estão, de cada cem brasileiros que compram passagem e descem no aeroporto de Londres, três são deportados. Em 2006 foram 4.985, conforme revelou o repórter Rafael Cariello.
Lord Strangford foi um craque. Arrancou de d. João 6º um tratado que, entre outras coisas, deu aos ingleses residentes na terra o privilégio de serem julgados por tribunais formados por compatriotas. Agora ele quer criar juntas inglesas para julgar brasileiros em aeroportos brasileiros. Deve ser mágoa das chicotadas que levou de um estribeiro de d. Carlota Joaquina.
Os acordos firmados pelos governos das duas nações dizem que os brasileiros não precisam de visto para entrar na Grã Bretanha, nem os ingleses para vir para cá. Como há milhares de nativos interessados em entrar na Inglaterra, ou em outros países da Europa, em busca de trabalho e sem a devida documentação, os governos se protegem. A polícia dos aeroportos faz a triagem no olho e pede provas de que o viajante não está mal intencionado. Essas exigências variam de país para país e vão da passagem de volta ao comprovante da reserva de hotel, passando por dinheiro no bolso e até demonstração do propósito da viagem. As sentenças dos guardas são quase sempre irrecorríveis e, às vezes, néscias.
É direito dos ingleses, espanhóis e europeus em geral recusar o ingresso de estrangeiros. Quanto a isso, nada há a fazer. Nada mesmo?
Talvez haja. Basta criar um sistema de reciprocidade. Quando um avião da British Airways descer em Guarulhos, pede-se aos passageiros que mostrem reserva de hotel, passagem de volta e uma quantia em dinheiro vivo. Não tem? Volta, mesmo que seja um físico a caminho da Argentina para uma palestra. Pode-se fazer o mesmo com o vôo seguinte, da Iberia. Por cortesia, os deportados ficariam sempre num patamar equivalente à metade dos brasileiros punidos.
Se esse remédio parecer radical, o Itamaraty pode informar aos embaixadores Collecott e Peidró Conde, da Espanha, que a reciprocidade só será aplicada em 2009.
Até lá, ingleses e espanhóis que não estiverem com a papelada em ordem serão convidados a assinar a seguinte declaração:
“Cheguei a este aeroporto sem os documentos necessários para atender as exigências que o governo do meu país impõe aos brasileiros. Em nome das boas relações entre os dois povos, solicito, pela presente, que seja dispensado desse procedimento.”
Assinou, fica. Não assinou, volta.
Lord Strangford ameaça restabelecer a necessidade do visto. Se esse for o único caminho, nada a fazer, pois é preferível ser obrigado a solicitar o carimbo dos ingleses (exigindo a mesma coisa deles) do que ser tratado como vagabundo, ou vagabunda, por polícia de aeroporto.
Em tempo: por mais que os europeus azucrinem os brasileiros, nada os aproxima da inépcia dos serviços consulares americanos. Eles exigem que os nativos peçam visto e avisam que a demora para marcar uma entrevista está em 109 dias no Rio de Janeiro. A espera em Pequim é de 15 dias, e em Buenos Aires, de dois.

A Notícia por perto

February 12, 2008 by Leo

Carro invade posto e atropela frentista

foto: JOYCE CURY
Carro invade posto e atropela frentista
PERIGO PM observa o carro e as roupas do frentista atropelado: policiais evitaram linchamento do motorista

Um Vectra com placas de Franca dirigido por Caio Nenghetti Fleury Loubardi, 19 anos, invadiu o Posto Independência, na avenida Independência, na noite de ontem, e atropelou o frentista Carlos A. P. Silva, de 37 anos. Segundo testemunhas, o frentista ficou preso debaixo do carro. O jovem acelerava, tentando fugir. O frentista foi retirado pelos bombeiros com a ajuda de populares, que ergueram o veículo.

Policiais militares evitaram que o motorista fosse linchado por populares.
Silva está internado em estado grave na Emergência do HC com quadro de hemorragia.
No choque, a bomba de combustível foi arrancada do local. Outro veículo que abastecia foi atingido. No carro de Caio, foram encontrados seis frascos de lança-perfume, dos quais um estava consumido.

RICARDO CANAVEZE

Fonte: Jornal A Cidade 

Quarto Poder, segundo a Wikipédia

January 27, 2008 by Rodrigo Benetti

Link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Quarto_poder com destaque para o último parágrafo.

Pra quem não viu: http://img444.imageshack.us/img444/7361/quartopodernl1.png

Rs…Tá chegaaando!